sábado, 21 de junho de 2014

Monossexual

Como jovem do início do século XXI, pergunto-me amiúde sobre o inexorável idealismo monogâmico da sociedade ocidental, que abala os instintos mais primitivos do ser humano, mas continua como padrão social de moral e bons costumes. Já tivemos a geração baby boom, as pílulas anticoncepcionais e as minissaias, o movimento feminista e direito de prazer sexual às mulheres, e mais recentemente o reconhecimento da identidade transgênera, o movimento gay, a normoconscientização do sexo oral e anal entre os heterossexuais. Mas permanece irrefutável o ideal de monogamia entre casais, os mais variados, como padrão de base da família. Definição interessante esta, a de família: o casal copula, procria e segue toda a vida unido, como prova de dignidade e amor eterno.
O DNA estremece, está escrito lá, se você pegar para analisar os nucleotídeos dos cromossomas sexuais você lerá em letras maiúsculas: o sexo é instintivo, a monogamia é artificial, não existe amor eterno, não existe tesão que dure uma vida inteira. É ridiculamente óbvio para ser encarado pela população cristã como fato real, porém toda população é vítima deste maravilhoso fado. É ridiculamente nítido na história da humanidade que a monogamia não funciona, que o casamento não dá certo, e que a traição não é a maior falha do relacionamento. A traição, a propósito, é o quê? Eu nunca entendi ao certo, sinceramente. Transar com uma terceira pessoa, beijar, dar pinta, gozar pensando em pornografia, olhar a bunda de um transeunte. Tudo isso é traição, sociedade? Então me revelem uma maneira de evitar o adultério, de evitar me acordar molhado de um sonho fantasticamente real e estupendo. Oh, sim, o melhor e mais bem aceito método é fechar os olhos, e continuar a vida a despeito de toda a natureza de nosso sangue. Não há meios para o qual, e caminhamos ao relento, vivendo relações que serão descartadas pelo nosso subconsciente pelas mais diversas causas: culpa, descrença, medo, raiva, nossa mãe, o primo com o qual se se masturbava na infância e sabe lá Freud o que mais nessa porra toda que é nossa psique vulnerável. Mas aí estão eles, os casamentos, os noivados, as alianças de ouro, as bodas de lata, e as famílias felizes correndo no parque nas tardes de domingo, com os cachorros tendo o cocô empacotado em sacos plásticos para ser descartado por um bom cidadão. Por trás dos bastidores sempre a mesma história: uma secretária carente, uma empregada sem vintém, um cliente simpático e receptivo com a cura para todos os males, as bundas enlaçadas num justo biquini amarelo gema, e lógico, as mentes com as mais sortidas pertubações que o casamento pode causar. Vamos ir, continuar a seguir frente a este teatro cujo palco é o século XXI ocidental, com as famílias sofrendo os mesmo males de toda a história da civilização.

 A verdade é uma só, a humanidade sempre girou em torno de drogas, sexo, dinheiro e diversão para se esquecer desta realidade. Só muda a tecnologia na qual está inserto o ser humano para saber como ele vai atuar e dançar esta música maravilhosa que é a vida.

"Quando repara no meu cabelo
Quando pergunta do meu passado
Quando precisa comprar cigarro
Porque acordado de um pesadelo
Quando sai cedo terno escovado
E volta como quem foi linchado
Ele acredita que me engano
Pensa que sabe mentir o homem que eu amo
Ele acredita que me engano,
Pensa que sabe mentir o homem que eu amo"
São Paulo/SP, 19:09;

quarta-feira, 26 de março de 2014

Busca

Em janeiro do ano passado entrei numa vibe de bitolação total no meu projeto residência médica 2014, abracei a doença mesmo, sem medo da brincadeira. Não faltou perturbação mental, garanto a cada um. Foram várias as noites de sonhos com provas e resultados, lindos finais de semanas banhados a cafeína, e poucos os momentos para resolução do meu quadro mental. A coisa andou de maneira que consegui, mais uma vez, parabéns, esquecer de tudo o que tange a minha existência transtornada. A despeito desta minha ênfase constante(nos posts, inclusive), meu namoro se manteve, apesar de que com algumas mudanças sutis, como a abertura do relacionamento e o decrescente da atividade sexual; quanto a minhas amizades, se mativeram também, com menor intensidade de comunicação geral, porém com a reserva garantida, como ocorre com todos velhos bons amigos. Sem delongas, guardei pra residência médica a responsabilidade de resolução de todos os meus problemas, a esperança de uma nova vida(nova cidade, novo lar), era ela o meio de fuga de tudo aquilo que me envolvia, que me consumia. Fuga e resolução. Não lhes admiraria que esteja agora eu colhendo amargos frutos desta minha errada obstinação. Que bola fora, meus amigos. E estava tudo ali, escrito nas estrelas, diariamente... mas não, as portas para o novo mundo eram prometidas.
Enfim, foi um grande método para adiar meus grandes empecilhos psicológicos. Não serei ingrato, confesso que cresci em demasia, em especial com meus conhecimentos médicos, não foram horas e horas diárias jogadas no lixo, não foram, não. Consegui, sim, crescer profissionalmente. Profissionalmente, e só.
Acordo agora na vida para qual lutei durante um ano, na cidade nova, na residência, perto de meus amigos; acordo vazio, sem satisfação, pois acordo todos os dias sem objetivo, sem uma expectativa ilusória de melhora, sem um meio obsessivo de me enganar completamente. 
A realidade me bate na cara todos os dias, e é esta, nua, crua, amarga, rançosa.
Terei de arranjar mais alguma baboseira com que me alimentar,  porque eu não me agüento. Haverá paradeiro aqui dentro? Com a nova vida, e a nova crise que se me aparece, foi-se meu namoro, minha motivação, meu humor, meu não desejo de ebriedade. Pergunto-me se conseguirei focar a vida no profissional, e me tornar um daqueles velhos que vejo na universidade todos os dias, me enchendo de merda a cabeça, tão bitolados quanto qualquer outro, em suas vulvas, seus exames, suas contas bancárias, suas hierarquias suas porcarias particulares; porém me enoja este fado. Quero fazer de meu fado outro, mais leve, menos material, menos bitolado. Mas não consigo, atualmente, fugir da mentalidade de que meu rastro já está pronto a jusante, construído em concomitante com minha personalidade perturbada, que eu ainda hei de conseguir desvendar(forças sobrenaturais pra conseguir acreditar nesta porra toda).

"Haverá paradeiro
 para o nosso desejo,
 dentro ou fora de um vício?

 Uns preferem dinheiro,
 outros querem um passeio
 perto do precipício

 Haverá paraíso,
 sem perder o juízo e sem morrer?"

São Paulo/Sp, 17:13;

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Ângulo

Foram diversos os acontecimentos corriqueiros que me fizeram hoje estar por aqui, e a maioria acontecida agora cedo mesmo.
Em meu penúltimo estágio do curso, optativo, estou passando com um grupo de internato do semestre anterior ao meu, na seção de emergência do hospital, grupo este composto exclusivamente por meninas, cerca de 10 delas. Após 3 semanas de convívio diário, foi apenas hoje, em meu último dia com o grupo, que me entretive em uma conversa mais intimista, quando falavam entre si sobre seus relacionamentos. E então foram, naturalmente, surgindo as esquisitices particulares das relações humanas que envolvem, além do coito, o, mais complexo talvez, convívio diário, em tom de conversa de bar. Ulteriormente foram destacados  pontos outros, corriqueiros, porém de grande peso ideológico, na conversa: a figura do homem, crenças e rituais religiosos, concepção de família, e mais destes que embasam os maiores tormentos da psique humana desde os mais remotos e documentados tempos. As peremptórias chagas da mente humana, residentes ainda hoje, na era da revolução das micro-partículas. Enfim, estava com uma amostra não estatisticamente significante de adultas jovens de classe alta do começo do século XXI, quando ouço uma voz comentar do fatídico dia em que teve de rachar a conta no restaurante, com seu ficante do dia, quando outras vozes assumiram o recinto com comentários irônicos e risadas de deboche. Outra voz, com tom de incredulidade, afirmava ser o fim dos tempos, ter de pagar conta no primeiro encontro. O professor, na casa dos 30 anos, já casado, terminando de preencher uma prescrição, falou algo sobre o machismo feminino, que foi logo desprezado por aqueles ouvidos adornados com brilhantes. Eu só a escutar, já me inchando, desconfortável, deglutindo palavras. Outra dondoca(gosto de chamá-las assim), disse de sua criação, onde o homem é o chefe da família, e que não conseguia ver de outra forma(estou usando as palavras que lhe saíram da boca, maestrada por pares cranianos de um encéfalo carreador de genes caprichosamente selecionados em bilhões de anos), como se se defendendo de maneira imparcial, vitimizante, dos ideais meritocráticos que se destacam no contemporâneo. Quando terminou sua defensiva, várias outras delas, as dondocas, argumentaram em favor, dizendo uma safadinha, ainda, que tinha o homem como imagem de o provedor da casa, pra pagar a escola das crianças, as despesas do lar(provavelmente um adorável e puritano lar cristão, despido de mágoas e outras fatalidades inerentes aos resquiciosos desejos do instinto). Foi quando mudou-se o assunto, já que a dondoca do meu lado estava preocupada em perder o carnaval do ano subseqüente por conta de plantões na enfermaria(paradoxais, classificaria os recentes últimos minutos).
Aproveitando brecha, uma Barbie orgânica iniciou receoso sentimento para com a semana santa, a qual gostaria de passar em companhia da família, e não preenchendo plantões de enfermaria. Inclusive porque esta era uma data muito importante para toda a família, que se reunia, ia à missa, e no domingo, felizes comemoravam o milagre de seu Messias. Porém, em meio a tanta alegria, não pôde deixar de reclamar de sua última promessa de quaresma, quando ficou 40 dias sem comer doces. Ela havia quase chegado à loucura, desesperada, já que, em sua ânsia maior, não podia de forma alguma(?) comer os doces. Foi quando, então, dando de desentendido, comecei a perguntar o motivo dos 40 dias de sacrifício, que me foi explicado pelas presentes. Abstenção de um prezado prazer como sacrifício, durante a quaresma, como representação(um tanto quanto mais sutil, só dizendo) da piedade por seu Messias.
Enfim, dos fatos de destaque perturbador em minha mente cotidiana matinal, creio serem estes os de maior.
Pra finalizar, algo outro que me foi colapsante ocorreu quando em casa, em meu computador, no horário de almoço. Li, em um site feminista, um texto de crítica a uma empresa de sapatos femininos que está gerando polêmica na internet. A razão é que usaram, em suas propagandas de dia das crianças, uma rebenta de 3 anos, usando calcinha, sapatos tamanho adulto, colar de pérolas e batom vermelho assumindo posições hiperssexualizadas, inclusive com gestos provocativos como olhares e biquinho com a boca. Vendo as fotos, algumas críticas e outras justificativas por parte da mãe da pré-escolar, dei por mim sem posição alguma, por não ter acesso, sinceramente, a embasamento algum do qual partir em meu estoque particular de ideologias. Talvez o infinito particular precise de algum tipo de dimensão, não perceptível por ele mesmo, em sua infindável magnitude, para atingir pareceres, mesmo maleáveis, quanto a fatos consumados por parte dos mais limitados conjuntos neuronais pensantes.
Estou ainda a achar a parte que me cabe nesta loucura toda, grande brincadeira macabra do acaso em seus mais inspirados estados.

"Pro caso de o acaso estar num bom dia
pro caso de o destino me haver reservado a alegria
E o meu fado estar fadado a ser sua sina

Eu vivo a sorrir, eu vivo a sorrir
Pro caso de você errar a vereda
e acertar o elevador
Pro caso de o acaso estar inspirado
E emaranhar, por capricho, tempo e espaço
Cruzando as nossas linhas soltas num laço"


Ribeirão Preto, 23:28;

sábado, 11 de maio de 2013

Redor

Há alguns dias, após comprar frutas frescas e cervejas no mercado perto de casa, estava eu saindo do estacionamento quando reparei em algo que um pouco me abalou. Corriqueiro, casual. Após atravessar a cancela, entrei no caminho de saída, e parei logo atrás de um carro, que esperava para entrar na via a jusante. Neste carro havia um típico casal de idosos, daqueles que a gente vê e dá uma leve risada sem saber o motivo real. Me pareciam cristãos. O senhor estava no comando do Corcel, com a postura inerente à senilidade habilitada - o peito próximo ao volante, óculos de lentes grossas afundados no nariz - , e sua esposa ao lado tinha nas mãos um panfleto, de um supermercado da concorrência daquele do qual acabávamos de sair, que ela analisava. Tenho esta imagem nítida ainda agora, aqui; tudo bem, não faz nem uma semana, mas digo que o recordo claramente devido à ausência de proeminâncias na cena em si.
Cabelos ralos, articulações gastas, cristalino opaco, pele fina, reservas depletadas, lesões pré-cancerígenas. As mesmas preocupações, os mesmos desfocos inúteis, os ciclos viciosos, auto-defesas.
Só espero não me preocupar com as promoções da semana daqui cinqüenta anos.
A verdade é que quero morrer cheio de paixões.


"Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem, cara, se declara
O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular"


Ribeirão Preto/Sp, 23:23;

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Miscelânea


Sei que não abandono este, tal como outros tantos, exercício por falta de gosto. Mas a profusão mental acaba me afastando de tanto, e, verdadeiramente, continuo sem entendê-la. Este é o ponto, o ponto é este(como diria-me um grande professor). E concordo que não foi o melhor momento pro útero de minha terapeuta resolver gestar, assim do nada. Em suma, pra falar no português, não tão, mas moderadamente perdido, como de hábito.

Evoluí com minhas neuras, minhas manias, minhas obstinações a tal ponto que acabei por decidir que sim, e obviamente, eu precisava de ajuda pra sair de sei lá onde estava. Realmente neste final de 2012 e início de 2013 as coisas dentro de mim não estava muito felizes, e, por conseqüência, acabei me introsando em um ciclo vicioso de choros espontâneos, obsessões, compulsões, adinamia, irritabilidade e apatia.Até que agüentei um bom tempo ciclando assim. Foram caixas e caixas de cereais matinais compradas, idas e idas aos mais diversos mercados que esta Ribeirão Preto tem a me oferecer, sabonetes, papéis-toalha, amaciantes, sabões líquidos, canetas, grifa-textos(clássicos, comprei 60 destes safadinhos), cafés instantâneos, capuccinos, caixas de cerveja, até uma samambaia comprei. Bom, sempre soube como pôr o pé no chão, o meio sempre temos, mas a atitude é que me carecia, confesso. Acabei por colocá-los, talvez mesmo que apenas as pontas dos pés, sobre este chão poroso e resistente; chega de sertralinas, tricíclicos, algazarras sinápticas e purpurinas cloretadas. Busquei auxílio psicoterapêutico, simpatizei com uma psicóloga quarentona(ou quase isso), gordinha, com ar de sabedoria e de um temperamento aparentemente leve. Foram alguns pares de sessões na quais conversamos sobre minha personalidade, minha infância, minhas crenças, meu existencialismo, minhas barreiras e minhas inseguranças. Foi engraçado perceber, amedrontador francamente, as características mais nítidas e óbvias de minha personalidade, que estiveram aqui, comigo, este tempo inteiro, de modo completamente irrelavante à minha consciência. Não neguemos o macabro que é a opressão inconsciente destes destaques gritantes para nossa consciência. 

Quando, então, íamos pormenorizar meus bloqueios sexuais, lá no âmago, fato julgo ser o mais pertubador para mim como um todo, a Dra. dondoca engravidou, gestação de alto risco, e cá espero por uma resolução do quadro(bom ou não para o feto), e sem gorar nada, por favor.
 Assumo que fugi dos assuntos que abarcavam minha sexualidade, como o fazia com minhas outras terapeutas. É o mais perturbador pra mim, não sei o que sairá daí de dentro, e não me recordo integralmente de fatos que, porventura, aparecem-me como flashes, fatos estes que fazer parte de todo este tormento sexual, e o que me resta é angustiar. Acaba que, vire e mexe, eu não me agüento. Talvez eu esteja cortido demais. O que sei é que não poderei suportar mais por muito tempo, não posso esconder meus desarranjos no chalé  frio nas montanhas, na vida da década de oitenta, nem em 16 caixas de cereais coloridos artificialmente que contêm glúten. A verdade é tão escancarada. A verdade é tão inacessível. A verdade é tão dificultada. Estou com tudo nas mãos e não posso nada.



Quanto à faculdade, bela faculdade, o sexto ano tá bombando, e o peso da responsabilidade tombou pro meu lado lá em outubro do ano passado, no HSPE, quando me dei conta do conhecimentos das pessoas que me cercavam. Acontece que o peso foi cair mesmo no começo deste bendito sexto ano, pra minha alegria. Prognostiquei minha jornada até o meio de novembro, quando começam as lindezas das provas, e até então sinto que o fardo está sendo mais leve do que julguei inicialmente. Tenho cumprido minhas metas, não com facilidade, na batalha, mas de boa. Eu me acostumei a estudar, e, principalmente, aprendi a gostar de estudar, lá na segunda etapa do curso. Foi o que mais facilitou pra mim. Embora haja, indiscutivelmente, aquelas áreas em que a peleja é maior, como a cirurgia, mas também nem tanto maior. O maior é o medo, a bem dizer. Isto espelha um fato absoluto em situações das mais variadas gravidades e características na vida. Whathever.Foi que, findando o ano passado, me vi enquadrado na prática clínica da neurologia, decidi, portanto, investigar minha afinidade com a área para poder lucrar com decisões concretas para guiar meus estudos. Me senti em terra firme, tive com profissionais da área, conversei, bati papo, vi os ossos do ofício, e, assim, digo que ainda me vejo apto a fazer desta uma profissão para mim. A questão que dói, notória em se falando de medicina, são as outras opções. Definitivamente já saquei que o lance comigo é a clínica. Nada de corte e costura, obrigado. Meu estágio de cirurgia foi um tremendo pé no saco. Nada de interessante para mim. Obrigado, dona Maria, mas sua pedra na vesícula não me agrada. Valeu seu João, mas sua úlcera gástrica é um grande bla bla bla pra mim. Continua minha paixão pela área reumatológica, linda, mas afirmo com força(não tanta, também) que me nego a ouvir pacientes poliqueixosos com crises somatoformes, OA ou fibromialgia em 80% do meu tempo. Será que os 20% compensariam? É o que ainda me pergunto. Também há outras magníficas opções em se tratando de clínica médica, vejam só, vejam só. Mas o problema que me aflige é este, exatamente, a clínica. Pra deixar claro, a residência de clínica médica, ou escravidão hospitalar, como preferir. 2 anos rodando o hospital pra virar um pato, e ter, ainda, que prestar novamente estas  belezinhas de provas pra entrar na residência de especialização clínica.
Mudando de direção, ando buscando minha ideologia de vida, e que não soe à Cazuza. Este meu nadir rendeu-me muitas reflexões, esotéricas até, as quais somei com minhas crenças místicas já vigentes em minhas concepções, o que acabou resultando em um conglomerado desorganizado de informações. O legal é que tenho mais esta pedra pra polir(sexualidade, espiritualidade, personalidade, vínculos, residência). Tenho descoberto  que, jocosidade zero, talvez esta margem social, este esoterismo todo, seja confortável pra mim. O que mais gozo no dia-a-dia é a leveza, por vezes inatingível. Hei de me resolver com ela...
Trocando em miúdos creio as poucas sessões de terapia terem me feito muito bem, e as quero de volta, antes que caia novamente. Não estou em condições de levar a menor queda, a mais mínima. Vou que vou no meu projeto residência(apesar de não saber com convicção aonde ele me leva, mas enfim). Ainda aprendendo a lidar com estes cristãos, que impregnam meus dias. Aberto, extremamente aberto, para tantas quantas possíveis novas e transcendentais jogadas.


"Nem pensei
-Impulso-
Pra sanar um momento
Silenciar barulhosMe esqueci de respirarUm, dois, trêsEu paroHoje sei que tenho tudo-Será?-Escrevi em meu colarDentro há o que procuro"


Ribeirão Preto/Sp. 22:43;


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Desfoco

As falsas esperanças das mentes pequenas e limitadas; esperanças estas que não contornam os pensantes. Fatores angustiantes, sempre os mesmos, os objetivos estipulados nunca lhe dizendo respeito: o nascimento da verdadeira falsa esperança. Novo ano, entrada na faculdade, dieta, roupas novas, reforma da casa, novas amizades. Satisfações fugazes que não preenchem. Enfado de nosso desenhado destino cíclico.
Tudo cá, na nossa cara, como sempre esteve, mas não enxergamos. O óbvio, por tão proeminente, torna-se obscuro: a verdade está escancarada, mas não vemos; não por não querer, sim por não podermos(é demais para nós, as conseqüências talvez sejam seqüelantes).
As metas, sentido da existência, a energia para que levantemos a cada manhã, seguem deturpadas. Não nos cansamos de nos iludir, não poupamos criatividade nas evasivas, com este indecifrável-infindável inconsciente que nos governa, o inconsciente que vive. E todo o princípio, a sã etiologia, bem no fundo, intocado e despercebido, como um peso morto a nos puxar, e qual carregamos, enquanto nos guiamos a conseguir nossos medíocres e malestipulados alvos.
Infundados que são nossos surtos, infundadas que são nossas angústias e frustrações - a
prova final, a torneira que pinga, a calça que não fecha, o conhecimento a ser digerido, o atraso do professor. Pro inferno com as superficialidades, cansado que estou. Tiremos esta venda dos olhos, mergulhemos mais fundo, na emaranhada malha escusa do âmago que retêm os transtornos, os que verdadeiramente inflamam a alma, cronicamente, e que, como no orgânico, abalam as funções normais, invalidam. O mal pela raiz, a semente de nosso caos.
Visando uma proteção irracional e inconsciente, ignorando a verdadeira moléstia-causa, vítimas de nós que somos, nos cercamos em um abrigo de poucas oportunidades. Abrigo-mãe de preconceitos, tabus, desprezos, julgamentos. Desta maquinaria protecionista saem privações, as mais variadas e limitantes. Nos restringimos a cada erro, desconserto, decepção, abalo, arrependimento, frustração(os dessabores inerentes da vida). Erguemos não valores expansivos, e sim conceitos restrictivos, que nos reprimem mais em nosso abrigo. Não expandimos, estreitamos.
Restricção, limitação, repressão, tamponamento, e o Mundo inteiro que gira, na nossa cara. A verdade é que jogamos sujo com nós mesmos. Podemos passar a vida inteira completamente enganados, para morrer sem saber o que somos, em verdade, o dom dos derrotados.
Nos fechamos progressivamente em resposta a falsos problemas, involuímos embasados na grande farsa da importância do totalmente inútil.

''Em cada espelho que eu olhava
Eu procurava e não me via
Toda gaveta em que eu mexia
Não tinha nada, tava vazia

Em cada rua que eu passava
Eu perguntava pra onde eu ia
Toda placa que eu seguia
Tava errada e eu me perdia

Vou sair
Não vou mentir
Eu não sou um bom lugar
Aqui eu já não fico mais

Vou mudar
Não vou parar
Não quero mais ficar assim
Eu vou começar por mim''

Ribeirão Preto/Sp, 22:17;

domingo, 29 de maio de 2011

Limiar

Depois de muito arranhar, lesar e estraçalhar, coisas pequenas, coisas grandes, jogam-nos, progressivamente, em direção a um nadir característico onde susceptibilidade e fragilidade são o conteúdo dominante. Lá então nos pegamos; os dias passam, o mundo gira, e fatores perniciosos, os mais ínfimos, ubíquos no itinerário, são de força suficiente para nos agredir significantemente: o comentário solto, a mudança no tempo, a menor lembrança, o estímulo de qualquer natureza, os deveres básicos.
Por conseguinte nos acomodamos por detrás de um escudo fruto, peculiar dos que já em muito se decepcionaram; não queremos contactos, exposição, situações em que possa nos ser demonstrado algum transtorno adicional. Como adversidade a esta proteção é trazido um fator agravante: a solidão. Estamos, então, no ponto mais baixo, cercados por nossos monstros, e sem ninguém. Imploramos, amiúde, por ajuda, mas não há como alcançar. Estamos sós, sufocados, e pressionados por um peso crescente. Por várias e várias vezes colocamos as mãos na cabeça, ou algum outro gesto físico demonstrativo de desespero, e acreditamos, por instantes, não haver como seguir em frente - sentimos estar chagando o momento de descompensação completa. E nestes freqüentes, e cada vez mais freqüentes, desesperos nos angustiamos ainda mais, ao sentir o perder de oportunidades, o o exaurir do tempo: não nos agüentamos. Nos direcionamos à amargura e frieza, talvez irreparáveis, tipicamente humanas, dos que sentem, dos atormentados, dos inconstantes.
Procuramos, então, quando com energia, meios de resgate, mesmo que no inconsciente(aqui eles sendo na maior parte das vezes inrentáveis e enfadonhos). Em circunstância das limitações vigentes, acabamos no máximo por, quando com sucesso, findar conclusões, extipular metas, porém o agir está ainda inatingível.
Tal como chega, vai. A ação volta a fazer presença, os objetivos são, novamente, alcançados, com maior ou menor esforço. E aqui há como marco o aclive, com o nadir cicatrizando e se distanciando na progressiva, tortuosa, unidirecional e limitada linha da vida. Ele se crava lá trás, antecedendo o imprevisível e obscuro próximo outro, até que se manifeste, por fim, o último.

''E cada qual no seu canto,
em cada canto uma dor''

Porque sei ser maior que meus inerentes altos e baixos;
Ribeirão Preto/Sp, 20:55;

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Remate

Apenas pra rematar, cá uma linda música de um grande compositor brasileiro, com que tenho tido maior contacto ultimamente. Em uma parceria exímia, Ivan Lins escreveu com Paulo César Pinheiro:

''Parei contigo quando saquei teu jogo
de vai e fica, de toma lá... dá cá
Meu coração por ti só passou sufoco,
dando o troco, só dando o troco

Nem me procura pra não ter bate-boca,
não tenho mais cintura pra te aturar
Larga o meu pêlo, vá se roçar nas ostras,
que eu já em outra, que eu já em outra

Perdão é deus quem dá,
pode até pedir que não vai colar
Pra quem me fez chorar,
eu só quero é rir...quá quá quá quá!

Quando eu cortei a tua não foi à toa,
fechei a tampa, mas foi na hora H
Segura a onda, desaparece, voa,
que eu numa boa, que eu numa boa

Cansei de quem só vive criando clima
Vá ver se eu na esquina, mas fica lá
Recuperei de vez minha auto-estima,
com tudo em cima, com tudo em cima''


Perdão é Deus quem dá, meu caro.
Ribeirão Preto/Sp, 20:13;

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Procedência

Quantas as realidades que não procedem. Os fatos que ocorrem, e, verdade seja atingida, sempre ocorreram, sem embasamento. Não creio que seja este o problema, que julgo ser: quantas coisas deixam de ocorrer, e que deveriam. A ausência, o silêncio, o vazio. Quantos elogios recebemos por o que merecidamente realizamos? E quantas seriam as críticas gratuitas, desnecessárias, que vêm sem mais nem menos? Os choques de realidade vão nos permitindo crer, com sofrimento, que o fio da meada se perdeu.
O mérito tem perdido o valor, e vamos nos dando conta disto aos poucos. A cada tarefa sem a devida atribuição, a cada gesto de bom senso, os esforços sem reconhecimento. O que sempre, como nos foi ensinado desde pequenos, acreditamos ser o objetivo não logra retornos, as satisfações que sabemos deveriam haver. Olhe para as grandes realizações completadas, e que se não fosse a auto-satisfação, o que trariam para nós mesmos?
Essa especulação nos faz introverter, aceitar que a vida é boa se for de nós para nós mesmos. O inferno torna-se cada vez mais os outros. Envelhecemos, vamos nos remodelando a figuras progressivamente mais centradas a nossa existência. Os anos passam, os fatos ocorrem, as portas vão se fechando, o contacto empobrece em nosso julgamento e passamos a querer nos abster dele, mais ,e mais, e mais. A esperança, conforme nós, envelhece e se cansa.
Alimentar boa índole, manter-se empenhado como boa pessoa, buscar o bem. Nada disso mais importa. É como se nosso dever, apesar de poucos cumprirem. Aos que atendem à obrigação, neutralidade, apesar de não serem estes a mediocridade. Aos que não atendem, que nos esforcemos para enxergar suas qualidades, e a sociedade sempre enxerga.

''Esperar que a vida lhe trate bem porque és uma boa pessoa é como esperar que um touro não te ataque por ser vegetariano.'' Dennis Wholley

22 anos, nunca precisei me depilar, tenho meus cabelos na cabeça, sou magro, e, acima de tudo, tenho minha saúde. Deixando a neutralidade de lado quanto a esses valores, sou sempre grato, a cada dia.Agradeço à vida.
Ribeirão Preto/Sp, 17:23;

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Interior

Por detrás de atos pecualiares, e, interessante, que rotineiros, há revelações de valores de grande profundeza, apesar de não nos darmos, em muito, conta disto. Processos inconscientes manifestos em plena consciência sem que percebamos, e possamos aproveitá-los completamente. Do inconsciente para o inconsciente, por meio de nós em apta ação cônscia, pouco percebendo. Um presente dele para ele, com o uso de outrem, a ferramenta-chave do processo: o ser em que habita, o próprio ser pensante.Quais seriam as representações reais destes atos, cá me pego a pensar. Que seriam elas para eu mesmo, e para o meu eu desconhecido.

O cômodo silenciador, um banho duradouro: a água quente tocando a pele sensível, o toque no próprio corpo, o sentir de si mesmo, em matéria, o esfregar dos cabelos, a suavidade da espuma que escorre, a umidade que se pronuncia: a redescoberta contínua das próprias percepções, o limite material da personalidade.
Roupas leves, um ambiente neutro de sensações enérgicas, estimuladoras. Apenas ruídos ásperos do atrito, os objetos que se tocam, lá, inanimados, ordenados conforme a própria vontade. Toda a simplicidade - assim julgada por si mesmo, já que relativa à constituição de cada um - representando a interiorização, a desconexão progressiva de tudo fora da auto-limitação.
A taça translúcida, agora tingida pelo vinho. Um alongamento corporal, os músculos irradiando as aferências, que, agora, devem-se esvair do contexto. O contexto é de retração, físico-psicologicamente interior. O contexto é o auto-lirismo, a auto-valorização, o auto-aproveitamento.
A pele que delimita, as cores que brilham nos olhos, o rumor que abala os ouvidos, o sabor que toca a língua. O teor que abafa as reverberações mentais de um poço interno de emoções retidas.
Ribeirão Preto/SP, 22:13;

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Contamição

''Não confio em ninguém,
Não, não confio em ninguém
Não confio em ninguém com mais de 30
Não confio em ninguém com 32 Dentes''

Obs: não era, nem é, de minha intenção usar deste meio como forma de especulação de assuntos políticos, econômicos e culturais. Jaz aqui um texto que retrata ,de maneira conotativa, a confusão secundária que sinto ao que se me passa, ao fugir dos trâmites para os quais realmente criei o blog.

Em meio a tantas incoerências, petulâncias, injustiças, absurdos e promiscuidade sócio-cultural frustro-me cá, em meu quarto solitário, em meus altos e baixos também com problemas pessoais. Fato não ser esse um ano de muito crédito para mim; não que seja de minha índole substimar a vida, não é, que fique claro. Maus momentos fazem parte do caminho que seguimos, e não desprezemos todos as boas passagens, findando nossa ingratificação.
O facto é: está tudo errado, tudo errado. Olhe pros lados, nas janelas dos carros, ligue a tevê, leia os jornais, avalie seus companheiros de turma, a índole dos casais e famílias. Abra os olhos, ''The truth's out there'', man. Repare nas leis, no controle social. Analise a igreja, oh cristo!

''Eu não gosto de padre
Eu não gosto de madre
Eu não gosto de frei.
Eu não gosto de bispo
Eu não gosto de Cristo
Eu não digo amém.
Eu não monto presépio
Eu não gosto do vigário,
nem da missa das seis

Eu não gosto do terço
Eu não gosto do berço
De Jesus de Belém.
Eu não gosto do papa
Eu não creio na graça,
do milagre de Deus
Eu não gosto da igreja
Eu não entro na igreja
Não tenho religião''

No Brasil temos 140 milhões de infelizes que alimentam a instituição, de longe, mais sanguinolenta já existente na Terra. Os fiéis apóiam a igreja que queimou vivos e em praça pública físicos, químicos, biólogos, astrônomos, homossexuais, pessoas, que estas sim, participam da lei químico-biológica mais acestral e resoluta existente: a evolução. Nenhuma outra organização matou mais pessoas que a igreja católica na história. A igreja é anti-evolução, a igreja é a maior retrocessão vigente, ainda(o que mais se é de admirar), no Mundo. A igreja não está inclusa na homeostase natural, a igreja é anômala, a igreja é simplesmente anti-evolucionista. 140 milhões de brasileiros que alimentam as diretrizes insustentáveis do cristianismo; que apóiam, direta ou indiretamente, a queimada de camisinhas, a impossibilidade de cura de milhões de enfermos mórbidos: cancerosos, sofredores de auto-imunidades, escleroses, distrofias, paralisias... E o melhor eu ainda mostro, agora:
Findo aqui minha indignação com esses seres impensantes, que se preocupam mais em ir à/ao missa/culto aos domingos que com os problemas humanos.
Esmiuce a juventude, as ideologias medíocres ainda cravadas no século XXI, o comunismo!
Jesus, Maria, José, estou cercado, não há meios por onde me esquivar, o fim está próximo e ao que parece ninguém percebeu. Oh, Crhist!

''Não tenho endereço, casa, nome e sobrenome
Não tenho documento, carro, conta e telefone
Se todo mundo acha que estou errado,
eu acho que não
Se todo mundo acha que estou louco,
eu acho que não

''O problema não é meu,
o paraíso é para todos
O problema não sou eu,
o inferno são os outros, o inferno são os outros''

Cá meus créditos para os Titãs, excepcionalmente, perdoem-me Barão, Legião, Capital, Roupa nova, Ultraje(excelentes grupos por inclusive), a maior banda pop-rock brasileira; Salve Branco, salve Brito, salve Nando, salve Miklos, salve Tony Belloto.
Ribeirão Preto/Sp, 21:59;

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Ciclo

Três dias consecutivos. O fenômeno se inicia desapercebido, sorrateiro, dura alguns dias, culminando no estado qual agora me aflige. Novamente ocorre e me vejo sem chão, cá, com este vazio, uma sensação de inutilidade e incapacidade de subir e retomar minhas atividades suspensas neste tempo... três dias. Suficientes para desbalancear minha homeostase auto-analítica, confiança e creio ainda minha segurança própria. Por tal como veio, vai embora: por mim; a diferença é a duração. O desbalanço é agudo e crítico, a recuperação custa dias e dias de esforço, nos quais tendo a me sentir em progressão menos leviano. Em suma o que ocorre é que minha consciência é privada dos meses anteriores de esforço por poucos dias nos quais me esqueço dos estudos, de obrigações entre coisas outras mais, que, com certeza, estavam todas bem sustentadas e mesmo até adiantadas. Mas não reconheço. Os poucos dias de relapso me causam esta impotência na qual estou... agora já em recuperação. E neste período impotente sinto-me incapaz de retomar meu ritmo anterior, como se tivesse de começar desde o começo, como se fosse improvável recuperar o fio da meada, tendo eu como alternativa única que recomeçar o enredo desde o ponto de partida . Isto não é normal, nem faz-me bem, já que sei, sem a menor dúvida, que sou capaz de coisas além das faculdades de muitos, devido a meus esforços e também à minha construção psíquica constitutiva. Anseio em equilibrar tudo isso, momentos de trabalho, de rendimentos, com outros de curtição e relaxamento; conhecendo-me sei não irá ser fácil, mas também percebo consiguirei. O ponto principal é: motivação, aquele primeiro passo. Tenho que desbitolar de alguns julgamentos intrínsecos para mellhor enxergar as situações do dia-a-dia. Não tarda esta motivação chega, bem como algumas outras por quais aspiro.
Estabilidade, meu grande apreço, não pode deixar de me ser de característica incondicional.


''Voa, voa minha liberdade,
Entra, se eu servir como morada,
Deixa, eu voar na sua altura
agarrado na cintura
da eterna namorada

Voa, feito um sonho desvairado
desses que a gente sonha acordado,
Voa coração esvoaçante
feito um pássaro gigante
contra os ventos do pecado

Voa nas manhãs ensolaradas
entra, faz verdade esta ilusão

Voa no estalo do meu grito,
Quero ver teu infinito
neste azul sem dimensão''

Ribeirão Preto/Sp, 23:07;

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Lingüístico

''Oxítono
mocho
gelosia
isquemia
cantoneiro
insípido
neurose
lésbico
idiopático
dipsomania
compêndio
lues
persecutório
artelho
psicodelia
somatoforme
despeito
lástima
conduta
protelação
iatrogenia
ubíquo
confim
adágio
retina
cadência
minimalismo
vulva
frenesi
eunuco
avo
venéreo
apreço
diazepam
carmim
ébrio
constitutivo
morfético
pêndulo
ansiogenia
demasia
fleumático
idiossincrasia
anuência
residual
fresta
mênstruo''

Ribeirão Preto/Sp, 20:43;

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Fruto

Em tempos incertos cá me escancaram, como que se de repente, posso dizer ainda que por esforço meu, sentimentos de propriedades inversas aos que até então se cravavam em meus dias. Digo que por meu esforço por ter conseguido, com não muita reflexão, sintetizar um amplo conteúdo de ocorrências, desentendimentos, dissidências, e seus efeitos; tudo se me mostrou demasiado mais singelo do que julgava ser, talvez porque estava com tudo solto na cabeça, sem conseguir reunir e interpretar os fatos para elaborar uma conduta; talvez por estar ainda digerindo certas partes do montante; talvez, e penso ser o mais provável, por ter deixado de lado toda esta confusão e focado em pontos outros de minha vida por um tempo. Agora vejo mais claramente, tudo o que expus acima, em minha frente, e me sinto bem, deveras assim me sinto. Fardos embasados em desmerecimentos, e entre outras constituições. Me pego com uma vontade louca, contudo de seriedade, de ligar o ''mode: soluções drásticas'', que sempre surte efeitos. Assumo os riscos destas soluções, por ativá-las após muito pensar; agora as coloco em meu caminho actual, de maneira um tanto leviana, mas sinto não estar por cair em decepção por este feito; talvez deva-se agir desta maneira com as soluções drásticas, talvez não, por isso arrisco em âmbito de não muita importância para mim, não mais. Não mais;

'Olhando pra trás há momentos bons, lógico,
o que faz ser triste,
Mas também há empecilhos,
o que faz ser racional e sensato'
RMF


''Eu vejo a vida melhor no futuro,
eu vejo isso por cima do muro
de hipocrisia que insiste em nos rodear
Eu vejo a vida mais farta e clara,
repleta de toda a satisfação que se tem direito,
do firmamento ao chão

Eu quero crer no amor numa boa,
e que isso valha prá qualquer pessoa
que realizar a força que tem uma paixão

Eu vejo um novo começo de era,
de gente fina, elegante e sincera,
com habilidade pra dizer mais sim do que não

Hoje o tempo voa amor,
escorre pelas mãos,
mesmo sem se sentir
E não há tempo que volte amor
Vamos viver tudo o que há prá viver,
vamos nos permitir''

Ribeirão Preto/Sp, 23:09;

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Opacidade

Voltei. Cá me estavam de prontidão as tão esperadas cobranças objetivas exógenas, e de grande valor para meus interesses. Cobranças essas que me surtem outras endógenas, e assim satisfaço duplamente com apenas um feito ambas elas.
Antes como meta, agora como efeito de motivação própria, me empenho a aprofundar na vasta e concreta medicina interna, desde suas raízes, a fim de melhor embasamento futuro. Me toca o humanismo e a delicadeza da clínica, e tenho me satisfeito com seu efeito em minha ideologia. Satisfaço-me compensatoriamente, por ter esquivado esta tão indipensável área de meus passados três anos de faculdade, já que havia, lá no fundo, sempre um vazio implorando preenchimento.Agora o encho, e com prazer, o que mais de traz felidade.
Primeiro módulo interessante, principalmente quanto à minha tão amada farmacologia, diria também quanto à neuroanatomia, ramo único da morfologia macroscópica por mim apreciado. Considero a psiquiatria, tratada no módulo referido, como interessante e de influência ubíqua nas especialidades outras, porém trabalhada com descaso por funcionários da saúde. Parte extensa em teoria, por abarcar muito das vertentes da psicologia inexoravelmente, por estarem ligadas; Parte extensa, por conter muitos termos e condutas específicos da área. Parte, contudo, como já atribuído, importante e de grande afecção na população geral.
Oh, minha vida acadêmica... meus livros, meus resumos, minhas manias(não as psiquiátricas, rs)... estava com saudades; Como diria o Sano, amigo que há tempos não vejo e por que sinto saudades, ''Quod me nutrit, me destruit''. Por vezes penso no efeito deste adágio, mas com lados positivos e negativos, creio não haver como nos esquivar de nossas necessidades de rotina, obrigações e compromissos. Talvez o balanço seja favorável à nossa psique, talvez não... wathever.
Concomitante ao regresso acadêmico, mudanças. Turma nova, pessoas novas, conexões novas: adaptação. Tenho analisado bastante quanto à maneira de o ego se adaptar frente a adversidades e situações estranhas; a análise é complexa porém, digo, interessante. Instabilidades inconscientes, repressão sentimental, defesas do ego; Ressalto: Freud, por mais austeros que sejam os Behavioristas, foi um gênio além de sua, e de nossa época, e quer estivesse certo ou não, tem seu mérito, e o Rafael que me perdoe... ou não, mas enfim, rs. Outra fonte de minhas curiosidades e invocação da psicanálise é um fato um tanto estranho que me tem ocorrido, desde meu retorno às atividades acadêmicas: deparo-me com desinteresse e desmotivação para voltar à minha cidade de criação. Dantes nunca ocorrera tal manifestação em meu âmbito de desejos. Mas ocorre-me a vontade de permanecer cá, novamente digo, com meus livros, resumos, minha moradia universitária... Conjecturo e logro causas para esta conseqüência, como modo de explicação. A questão, retorno ao ponto há pouco discutido, é a adaptação. Talvez seja melhor voltar pra Rio Preto, e, agora uso de meios behavioristas, encarar a experiência por si, o que não ocorreria se me enclausurasse aqui em meu apartamento(quarto?cubo?). Inclusive porque necessito da experiência para obter resultados concretos, não teorico-especulativos. Verei, sentirei, talvez surpreenderei-me.
Alinhado a este descaso por Rio Preto está minha vida afetiva, a qual tem, tabém, deixado dúvida e confusão por esses dias que tem passado. O lindo trecho que segue abaixo, o insertei ao post por conta deste aspecto, e creio necessitar de maior intensidade afetiva endógena, contudo sinto-me perdido em meio à confusão que referi. Ando meio perdido, talvez esteja seguindo por um caminho tortuoso porém de destino correto, e espero que assim seja.

''O primeiro me chegou como quem vem do florista,
trouxe um bicho de pelúcia, trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens e as vantagens que ele tinha,
me mostrou o seu relógio, me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada que tocou meu coração,
mas não me negava nada, e assustada, eu disse não

O segundo me chegou como quem chega do bar,
trouxe um litro de aguardente tão amarga de tragar
Indagou o meu passado e cheirou minha comida,
vasculhou minha gaveta me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada que arranhou meu coração,
mas não me entregava nada, e assustada, eu disse não

O terceiro me chegou como quem chega do nada,
ele não me trouxe nada também nada perguntou
Mal sei como ele se chama mas entendo o que ele quer,
se deitou na minha cama e me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não,
se instalou feito um posseiro dentro do meu coração''

Ribeirão Preto/Sp, 21:45;

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Resultado

From me to me:
O ponto relevante em questão, nesses tempos de abstenção de posts, é: minha leitura está estagnada. Especulo. Em se falando de diagnósticos psicológicos: sinal, sintoma, etiologia, seqüela? Ainda não sei. Talvez, inclusive, nunca saiba. Sendo este, a leitura, um hábito ubíquo em meu cotidiano, é de pouca probabilidade que fique isenta minha consciência de uma conclusão sustentável sob efeito do tempo. Plausível que ele, juntamente com minhas faculdades analíticas, logre explicações de grande efeito para mim, e, como conseqüência, para o âmbito social ao qual me confino... amizade, família(entidades de manutenção sobremaneira requerentes, cravadas a nós, e assim, quando instáveis, atingem-nos intensamente); precisamos delas, inerentemente(quando possuímos natureza humana que tange limites de normalidade, ao menos).
O que importa é que minha leitura permanece inerte. E o efeito é que isto me afeta; isto me angustia. Talvez como causa, talvez por efeito. Não é um fato inédito este por qual passo, nem creio será ele ocasional ou assíduo. Mas o incômodo é que, nestas ocasiões, ocorridas em estações análogas, parece sair-me algo do âmago. Julgo-me frágil, ordinário, e por conseqüência direta abalado e, ouso dizer, despeitando meu orgulho, instável.
Há faltado congruência em meu hábito de leitura. Não estou bem. Talvez não esteja bem. Talvez esteja com medo de minha condição. Talvez eu não saiba de mais nada, ou talvez saiba demais e não consiga, ou não queira, conciliar o que foi conciliado à nível inconsciente.

''A melhor forma de esquecer
é dar tempo ao tempo,
A melhor forma de curar o vício
é no início

A melhor forma de escolher
é provar o gosto,
A melhor forma de chorar
é cobrindo o rosto,
Evitar as rugas
é não olhar no espelho,
Esvaziar o revólver
é puxar o gatilho,
A melhor forma de esconder as lágrimas
é na escuridão,
A melhor forma de enxergar no escuro
é com as mãos,

As idéias estão no chão,
você tropeça e acha a solução''


Ribeirão Preto/Sp, 23:53;

terça-feira, 8 de junho de 2010

Protelação

Poucos acontecimentos e ociosidade são base da explicação pela ausência de posts no período entre este e o anterior. Não que tenha sido de todo vazio meus dias, mas que não relevei atividades prioritárias é facto; Objetivações eu tive, mas faltou-me ânimo e disposição para concretizá-las, o conhecido inconsciente vício humano de esquivar-se de questões auto-construtivas por motivos não muito cônscios de que quem o faz. É de nossa natureza, inerente à personalidade, porém com esforço e racionalização podemos moldar, e me atrevo dizer reparar, atitudes que nos serão mais prósperas, como se burlar o instinto para nos beneficiarmos.
Logrei grande êxito no módulo findo, o que trouxe-me grande satisfação e alimentou meu ego; receio, por vezes, das conseqüências do afastamento acadêmico que me foi imposto, mas visto as tormentas que passei, tenho certeza que a adaptação não será para mim difícil, inclusive porque sinto, e como sinto, falta das obrigações e cobranças dos módulos, das provas, de minhas tardes de nescafé e estudo ao som do rádio...
Desviando do assunto, tenho feito proveito de algumas viagens nesse período refratário com bons rendimentos, além do primário: conhecer novos centros, novas visões, novas realidades. Agradeço ao meu grande amigo Victor Hugo pela carinhosa recepção em sua casa, em Uberlândia, e pelo afeto e consideração demonstrados enquanto eu por lá; Foi para mim um grande prazer poder estar a par de sua situação na faculdade, de suas amizades, da instituição à qual confiou seus estudos para se formar médico. Certamente foi frutífero como experiência a oportunidade de me aproximar de outra escola médica, analisar e poder ver de perto a infraestrutura, os discentes , o método de ensino, além como funcionam as diretrizes da universidade. Ressalvo ter sido muito bem recebido pelas pessoas para quais lá fui apresentado. E além deste lado acadêmico, nada como estar perto de um amigo para nos fazer dos momentos os mais agradáveis. Cabe a mim agradecer, aqui, mais uma vez, ao Vi; adorei ter passado aqueles dias com você, e como já lhe disse, prepare-se para outras visitas ^^;

''E quando escondo a minha olheira é pra colher amor''

A despeito da fase cravada por certas dificuldades peculiares, surpreendo-me com boa auto-estima, logicamente não de carácter constante, mas em modo geral, fazendo o balanço, afirmo estar ela, sim, de bom grado para meu ego. Talvez como forma de fuga tenho exaltado a vaidade, o que talvez não seja deletério quando comparado a outras formas de defesa inconscientes(apesar de estas sempre estarem presentes, acredite). Tenho pensado bastante em mim, o que já evidenciei escusamente em posts anteriores, e feito alguns investimentos de feição benéfica, apesar de manter hábitos nocivos e arriscados; convenhamos, certamente, ser um início de habituação a modos mais sensatos de subterfúgio.

''Mas eu também sei ser careta,
de perto, ninguém é normal,
Às vezes, segue em linha reta
a vida, que é "meu bem, meu mal"

Comecei meu livro do Dawkins, e, céus, em seu primeiro livro, de 1976, ele já se me consegue demonstrar a genialidade; abrangendo campos diversos tais como genética, evolucionismo, psicologia comportamental e zoologia, o cientólogo consegue conjugar estes todos para formular suas idéias e discorrer sua obra. Estou estupefato com a intelectualidade do autor e sua capacidade de análise de áreas tão amplas e dissonantes.Quanto ao livro que acabei de ler, como de hábito, exponho cá trechos para mim de relevância:

''Quando houver mais de uma explicação, a mais simples em geral é a certa.''
''-Senhorita Sexton, por favor, perdoe o doutor Marlinson. O que ele não tem em termos de tato é mais do que compensado pelos fragmentos aleatórios de conhecimento absolutamente inútil que possui a respeito de nosso universo.''
''Só quem nunca experimentara o poder podia dizer que elle não viciava.''D. Brown, Deception point, 2001.
PS: creio serem as informações presentes nas obras de Dan Brown de maior interesse que o enredo, que sempre tende a ser forçado e trilhar o mesmo caminho. Neste livro, como em outros dele quais já li, foram-me mostrados fatos, realidades fascinantes que dizem respeito à política, ciências, e instituições governamentais. Recomendo alguns de seus livros principalmente por este mérito.

Ribeirão Preto/São Paulo.

sábado, 17 de abril de 2010

Sabedoria

Absorvendo conhecimentos da importante mãe da ciência que escolhi, a embriologia, e digo mais, apreciando a beleza desta misteriosa arte trabalhada em puro adn; levando adiante essa peleja, encarando a dificuldade da submissão com gracioso bom humor, agora(sim, o tenho conseguido). Afastado, ainda, do dito laboratório morfofuncional, mas isso como sempre faz parte de meu caminho traçado, hei de conquistar ainda, tenho esperanças, a sua assiduidade.
Julgo o comentário de meu grande amigo e futuro doutor, Victor Hugo, de intensa e sucinta caracterização: ''Embriologia é mágica''.
Quanto a minhas análises celulares: sim, continuam cravadas em meu itinerário; meu risonho fado, espero cultivá-lo sempre ativo em minha vida. Quando em São Paulo, junto a meu pai, comprei o livro que me estava na lista de desejo há um tempinho, do Dawkins... anseio em lê-lo, mas creio que não me será inútil a espera pelo final do módulo, para melhor poder integrar as informações trazidas a mim pela obra, que não são poucas, pelos poucos trechos que li. Dawkins está entre os três maiores intelectuais vivos da actualidade, segundo me informou a internet, portanto pretendo me assegurar de ''espaço mental'' para melhor trabalhar e relacionar, com esmero, o que ele pode me trazer(melhor, o que ele pode fornecer e eu compreender, em meu nível de sabedoria). Num dos trechos que passei os olhos, ele tratava do evolucionismo de Darwin, mas o retratava em nível molecular, discutindo sobre a estabilidade das ligações atômicas que permitiam a formação de moléculas que sobressairiam a outras instáveis; não acho ter mais eu que falar sobre a genialidade do cientólogo.
Não não ser a ciência uma arte, mas da de característica vulgar: buscando novas afeições musicais, estava cansado da mesmice de minhas músicas(de minhas três mil músicas em hd), e tenho encontrado em estilos paradoxais coisas interessantes; creio ser o paradoxo para mim uma grande atração, a nível inconsciente, me atrevo dizer, inclusive. Tive uma conversa sobre essas minhas atitudes paradoxais com o Victor hoje, e vejo fazer sentido e ter enquadramento em minha vida esta idéia. No que toca a cinematografia, não vejo um bom filme há um tempinho, e minha série está estagnada, não mais a vi, mas a retomarei, me divirto com ela.
Também austeras se mostram minhas análises existenciais, e quanto a estas digo não querer instaurar na vida como fado, apesar de talvez já o ser, como não gostaria; faz parte. Cá uma passagem bíblica muito convincente e apta a enaltecer minhas idéias a respeito do existencialismo, que me é de grande admiração:
''Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta o conhecimento aumenta a tristeza'' Ec 1:18.
A bíblia muito nos tem a ensinar. Sábios, e tristes, são os versos bíblicos, e felizes os que com eles podem alimentar a mente sem se envenenar. Postulo haver um feedback positivo na situação: conhecimento ao trazer tristeza, traz também sede pelo próprio conhecimento, com mais tristeza... enfim...

''Caras como eu estão tirando o pé,
andando em marcha-ré,
com medo de entrar na contra-mão

Como trens do interior que não chegam no horário
Como velhos elefantes que morrem solitários

Caras como eu estão ficando chatos,
como solas de sapatos
que se gastam
com o passar do tempo

Não vou mais medir o tempo,
não vou mais contar as horas
Vou me entregar ao momento,
não vou mais tentar matar o tempo

Como palavras de amor
que não se guardam em disquetes
Como segredos sem valor
que a gente nunca esquece''

quinta-feira, 25 de março de 2010

Ajuste

Início de módulo, reinício da cobrança oficial, porém escusa, típica do pbl(método vire-se à sua maneira e veja se logrou êxito nos estudos com a prova única), início formal dos estudos(y). Já quanto às análises existencialistas, de pé, as always, little darling, thanks. Não há fim para elas, e cá vamos vivendo inerentes, salve(parágrafo ulterior que o diga, rs).
Sinto-me diferente, coisas mudaram em mim, e confesso hesitar no julgamento dessas alterações que se me emergiram à consciência por meio de infelizes desequilíbrios; ressalvo com forte ênfase não ainda ter aqui citado crises de desequilíbrios por minha parte, e ter sempre dado valor maior à estabilidade em minha humilde, porém austera, ideologia. Defenestrei, e cá me bate agora o arrependimento pelo insólito e ridículo descompenso(neol.)de condutas, cujo fruto foi-se me apresentado como uma resignação, já mencionada no anterior post. Aproveito-me desta, e realmente o estou fazendo, como uma oportunidade para enxergar defeitos e corrigi-los, na medida do cabível e aceitável, para enaltecer minha integridade e reparar qualidades deletérias a mim e às pessoas prezadas em minha vida. Julgo ser o arrependimento de ações praticadas inerente às sentimentalidades humanas, conceito ofuscado pela consciência geral, creio que com finalidade de resistência, mas é o que penso, e repito: eu me arrependo de coisas que fiz, você também se arrepende, todos no mundo se arrependem, porque o arrependimento é conseqüência de falhas, e falhar é inato ao homem, errar é o que nos permite evoluir(quando, e apenas quando, nos tornamos cientes dos erros).E aqui consigo, portanto, fechar meu raciocínio com explicação embasada.
Ando meio somatoforme, psicossomático(com um fator surtindo efeitos sobre o outro). Não se me está sendo fácil a adaptação à imputação do infeliz incidente na faculdade. Inevitável sentir-se injustiçado e desprezado, principalmente quando se toca a pessoas de gênio forte, como no meu caso. Creio não serem de apreço crises de desequilíbrios comportamentais. Não se sustentam como conseqüência de incidentes infelizes, na maior parte das vezes. E não quero me subestimar a feitor de tais atuações na vida. Algumas pessoas se submetem ao fracasso, que por elas próprias é traçado; caem nos próprios buracos ao longo dos anos. A essas pessoas costumam adaptar-se a infelicidade e a progressão de descompensações mentais no destino. Por mais que a nível imunológico(e outros níveis a este subordinados ou por ele influenciado)haja uma descompensação em mim, anseio não estender a desordem a nível mental na mesma proporção; apesar de difícil, possível e válida é a minha preocupação. Quero minha integridade moral, mereço obter a satisfação por mantê-la meio aos tormentos por todos passados em vida, porque não sou a pessoa fraca e desequilibrada há pouco retratada; sou forte, sou frutífero, sou disto tudo merecedor por possuir as qualidades que possuo; sou merecedor e que se foda a palavra que não muito mais cravo em meu cotidiano: modéstia, já que dela não preciso. Não sou merecedor de modéstia. Fracos usam da modéstia para esconder a insegurança; eu a não necessito. Sei de meus valores e quando deles usar, nos momentos em que se encaixam, porque isto aplicado nas condutas as enaltece, e condutas diferenciadas fazem das pessoas especiais. Álcool, valium, nicotina, cafeína, nutrientes, deles saiba usar, como de tudo mais, e não se terá no futuro privação conseqüente do antes abusado. Porque os químicos, parte à bioquímica comportamental, não solucionam por inteiro.
Aproveito para aqui desculpar-me a minhas células por delas ter abusado a boa vontade; não se me tornem contra, por favor(yn).



''Soda pop and Ritalin
No one ever died for my sins in hell,
as far as I can tell,
at least the ones I got away with
[...]
Land of make believe,
and it don't believe in me
Land of make believe,
and I don't believe,
and I don't care!''

Don't care, do it;

domingo, 21 de março de 2010

Resignação

Causa de desequilíbrios, incertezas, insegurança, bem como fator oferecedor de oportunidades para consertos e reparos;

''I can't believe what you said to me
last night when we were alone
You threw your hands up,
baby you gave up, you gave up
[...]
And I know that it's complicated,
but I'm a loser in love
So baby raise a glass to mend,
all the broken hearts
of all my wrecked up friends''