Depois de muito arranhar, lesar e estraçalhar, coisas pequenas, coisas grandes, jogam-nos, progressivamente, em direção a um nadir característico onde susceptibilidade e fragilidade são o conteúdo dominante. Lá então nos pegamos; os dias passam, o mundo gira, e fatores perniciosos, os mais ínfimos, ubíquos no itinerário, são de força suficiente para nos agredir significantemente: o comentário solto, a mudança no tempo, a menor lembrança, o estímulo de qualquer natureza, os deveres básicos.
Por conseguinte nos acomodamos por detrás de um escudo fruto, peculiar dos que já em muito se decepcionaram; não queremos contactos, exposição, situações em que possa nos ser demonstrado algum transtorno adicional. Como adversidade a esta proteção é trazido um fator agravante: a solidão. Estamos, então, no ponto mais baixo, cercados por nossos monstros, e sem ninguém. Imploramos, amiúde, por ajuda, mas não há como alcançar. Estamos sós, sufocados, e pressionados por um peso crescente. Por várias e várias vezes colocamos as mãos na cabeça, ou algum outro gesto físico demonstrativo de desespero, e acreditamos, por instantes, não haver como seguir em frente - sentimos estar chagando o momento de descompensação completa. E nestes freqüentes, e cada vez mais freqüentes, desesperos nos angustiamos ainda mais, ao sentir o perder de oportunidades, o o exaurir do tempo: não nos agüentamos. Nos direcionamos à amargura e frieza, talvez irreparáveis, tipicamente humanas, dos que sentem, dos atormentados, dos inconstantes.
Procuramos, então, quando com energia, meios de resgate, mesmo que no inconsciente(aqui eles sendo na maior parte das vezes inrentáveis e enfadonhos). Em circunstância das limitações vigentes, acabamos no máximo por, quando com sucesso, findar conclusões, extipular metas, porém o agir está ainda inatingível.
Tal como chega, vai. A ação volta a fazer presença, os objetivos são, novamente, alcançados, com maior ou menor esforço. E aqui há como marco o aclive, com o nadir cicatrizando e se distanciando na progressiva, tortuosa, unidirecional e limitada linha da vida. Ele se crava lá trás, antecedendo o imprevisível e obscuro próximo outro, até que se manifeste, por fim, o último.
''E cada qual no seu canto,
em cada canto uma dor''
Porque sei ser maior que meus inerentes altos e baixos;
Ribeirão Preto/Sp, 20:55;
domingo, 29 de maio de 2011
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Remate
Apenas pra rematar, cá uma linda música de um grande compositor brasileiro, com que tenho tido maior contacto ultimamente. Em uma parceria exímia, Ivan Lins escreveu com Paulo César Pinheiro:
''Parei contigo quando saquei teu jogo
de vai e fica, de toma lá... dá cá
Meu coração por ti só passou sufoco,
só tô dando o troco, só tô dando o troco
Nem me procura pra não ter bate-boca,
não tenho mais cintura pra te aturar
Larga o meu pêlo, vá se roçar nas ostras,
que eu já tô em outra, que eu já tô em outra
Perdão é deus quem dá,
pode até pedir que não vai colar
Pra quem me fez chorar,
eu só quero é rir...quá quá rá quá quá!
Quando eu cortei a tua não foi à toa,
fechei a tampa, mas foi na hora H
Segura a onda, desaparece, voa,
que eu tô numa boa, que eu tô numa boa
Cansei de quem só vive criando clima
Vá ver se eu tô na esquina, mas fica lá
Recuperei de vez minha auto-estima,
tô com tudo em cima, tô com tudo em cima''
de vai e fica, de toma lá... dá cá
Meu coração por ti só passou sufoco,
só tô dando o troco, só tô dando o troco
Nem me procura pra não ter bate-boca,
não tenho mais cintura pra te aturar
Larga o meu pêlo, vá se roçar nas ostras,
que eu já tô em outra, que eu já tô em outra
Perdão é deus quem dá,
pode até pedir que não vai colar
Pra quem me fez chorar,
eu só quero é rir...quá quá rá quá quá!
Quando eu cortei a tua não foi à toa,
fechei a tampa, mas foi na hora H
Segura a onda, desaparece, voa,
que eu tô numa boa, que eu tô numa boa
Cansei de quem só vive criando clima
Vá ver se eu tô na esquina, mas fica lá
Recuperei de vez minha auto-estima,
tô com tudo em cima, tô com tudo em cima''
Perdão é Deus quem dá, meu caro.
Ribeirão Preto/Sp, 20:13;
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Ivan Lins,
Paulo César Pinheiro
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Procedência
Quantas as realidades que não procedem. Os fatos que ocorrem, e, verdade seja atingida, sempre ocorreram, sem embasamento. Não creio que seja este o problema, que julgo ser: quantas coisas deixam de ocorrer, e que deveriam. A ausência, o silêncio, o vazio. Quantos elogios recebemos por o que merecidamente realizamos? E quantas seriam as críticas gratuitas, desnecessárias, que vêm sem mais nem menos? Os choques de realidade vão nos permitindo crer, com sofrimento, que o fio da meada se perdeu.
O mérito tem perdido o valor, e vamos nos dando conta disto aos poucos. A cada tarefa sem a devida atribuição, a cada gesto de bom senso, os esforços sem reconhecimento. O que sempre, como nos foi ensinado desde pequenos, acreditamos ser o objetivo não logra retornos, as satisfações que sabemos deveriam haver. Olhe para as grandes realizações completadas, e que se não fosse a auto-satisfação, o que trariam para nós mesmos?
Essa especulação nos faz introverter, aceitar que a vida é boa se for de nós para nós mesmos. O inferno torna-se cada vez mais os outros. Envelhecemos, vamos nos remodelando a figuras progressivamente mais centradas a nossa existência. Os anos passam, os fatos ocorrem, as portas vão se fechando, o contacto empobrece em nosso julgamento e passamos a querer nos abster dele, mais ,e mais, e mais. A esperança, conforme nós, envelhece e se cansa.
Alimentar boa índole, manter-se empenhado como boa pessoa, buscar o bem. Nada disso mais importa. É como se nosso dever, apesar de poucos cumprirem. Aos que atendem à obrigação, neutralidade, apesar de não serem estes a mediocridade. Aos que não atendem, que nos esforcemos para enxergar suas qualidades, e a sociedade sempre enxerga.
''Esperar que a vida lhe trate bem porque és uma boa pessoa é como esperar que um touro não te ataque por ser vegetariano.'' Dennis Wholley
22 anos, nunca precisei me depilar, tenho meus cabelos na cabeça, sou magro, e, acima de tudo, tenho minha saúde. Deixando a neutralidade de lado quanto a esses valores, sou sempre grato, a cada dia.Agradeço à vida.
Ribeirão Preto/Sp, 17:23;
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Interior
Por detrás de atos pecualiares, e, interessante, que rotineiros, há revelações de valores de grande profundeza, apesar de não nos darmos, em muito, conta disto. Processos inconscientes manifestos em plena consciência sem que percebamos, e possamos aproveitá-los completamente. Do inconsciente para o inconsciente, por meio de nós em apta ação cônscia, pouco percebendo. Um presente dele para ele, com o uso de outrem, a ferramenta-chave do processo: o ser em que habita, o próprio ser pensante.Quais seriam as representações reais destes atos, cá me pego a pensar. Que seriam elas para eu mesmo, e para o meu eu desconhecido.
O cômodo silenciador, um banho duradouro: a água quente tocando a pele sensível, o toque no próprio corpo, o sentir de si mesmo, em matéria, o esfregar dos cabelos, a suavidade da espuma que escorre, a umidade que se pronuncia: a redescoberta contínua das próprias percepções, o limite material da personalidade.
Roupas leves, um ambiente neutro de sensações enérgicas, estimuladoras. Apenas ruídos ásperos do atrito, os objetos que se tocam, lá, inanimados, ordenados conforme a própria vontade. Toda a simplicidade - assim julgada por si mesmo, já que relativa à constituição de cada um - representando a interiorização, a desconexão progressiva de tudo fora da auto-limitação.
A taça translúcida, agora tingida pelo vinho. Um alongamento corporal, os músculos irradiando as aferências, que, agora, devem-se esvair do contexto. O contexto é de retração, físico-psicologicamente interior. O contexto é o auto-lirismo, a auto-valorização, o auto-aproveitamento.
A pele que delimita, as cores que brilham nos olhos, o rumor que abala os ouvidos, o sabor que toca a língua. O teor que abafa as reverberações mentais de um poço interno de emoções retidas.
Ribeirão Preto/SP, 22:13;
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Contamição
''Não confio em ninguém,
Não, não confio em ninguém
Não confio em ninguém com mais de 30
Não confio em ninguém com 32 Dentes''
Não, não confio em ninguém
Não confio em ninguém com mais de 30
Não confio em ninguém com 32 Dentes''
Obs: não era, nem é, de minha intenção usar deste meio como forma de especulação de assuntos políticos, econômicos e culturais. Jaz aqui um texto que retrata ,de maneira conotativa, a confusão secundária que sinto ao que se me passa, ao fugir dos trâmites para os quais realmente criei o blog.
Em meio a tantas incoerências, petulâncias, injustiças, absurdos e promiscuidade sócio-cultural frustro-me cá, em meu quarto solitário, em meus altos e baixos também com problemas pessoais. Fato não ser esse um ano de muito crédito para mim; não que seja de minha índole substimar a vida, não é, que fique claro. Maus momentos fazem parte do caminho que seguimos, e não desprezemos todos as boas passagens, findando nossa ingratificação.
O facto é: está tudo errado, tudo errado. Olhe pros lados, nas janelas dos carros, ligue a tevê, leia os jornais, avalie seus companheiros de turma, a índole dos casais e famílias. Abra os olhos, ''The truth's out there'', man. Repare nas leis, no controle social. Analise a igreja, oh cristo!
''Eu não gosto de padre
Eu não gosto de madre
Eu não gosto de frei.
Eu não gosto de bispo
Eu não gosto de Cristo
Eu não digo amém.
Eu não monto presépio
Eu não gosto do vigário,
nem da missa das seis
Eu não gosto do terço
Eu não gosto do berço
De Jesus de Belém.
Eu não gosto do papa
Eu não creio na graça,
do milagre de Deus
Eu não gosto da igreja
Eu não entro na igreja
Não tenho religião''
Eu não gosto de madre
Eu não gosto de frei.
Eu não gosto de bispo
Eu não gosto de Cristo
Eu não digo amém.
Eu não monto presépio
Eu não gosto do vigário,
nem da missa das seis
Eu não gosto do terço
Eu não gosto do berço
De Jesus de Belém.
Eu não gosto do papa
Eu não creio na graça,
do milagre de Deus
Eu não gosto da igreja
Eu não entro na igreja
Não tenho religião''
No Brasil temos 140 milhões de infelizes que alimentam a instituição, de longe, mais sanguinolenta já existente na Terra. Os fiéis apóiam a igreja que queimou vivos e em praça pública físicos, químicos, biólogos, astrônomos, homossexuais, pessoas, que estas sim, participam da lei químico-biológica mais acestral e resoluta existente: a evolução. Nenhuma outra organização matou mais pessoas que a igreja católica na história. A igreja é anti-evolução, a igreja é a maior retrocessão vigente, ainda(o que mais se é de admirar), no Mundo. A igreja não está inclusa na homeostase natural, a igreja é anômala, a igreja é simplesmente anti-evolucionista. 140 milhões de brasileiros que alimentam as diretrizes insustentáveis do cristianismo; que apóiam, direta ou indiretamente, a queimada de camisinhas, a impossibilidade de cura de milhões de enfermos mórbidos: cancerosos, sofredores de auto-imunidades, escleroses, distrofias, paralisias... E o melhor eu ainda mostro, agora:
Findo aqui minha indignação com esses seres impensantes, que se preocupam mais em ir à/ao missa/culto aos domingos que com os problemas humanos.
Esmiuce a juventude, as ideologias medíocres ainda cravadas no século XXI, o comunismo!
Jesus, Maria, José, estou cercado, não há meios por onde me esquivar, o fim está próximo e ao que parece ninguém percebeu. Oh, Crhist!
''Não tenho endereço, casa, nome e sobrenome
Não tenho documento, carro, conta e telefone
Se todo mundo acha que estou errado,
Não tenho documento, carro, conta e telefone
Se todo mundo acha que estou errado,
eu acho que não
Se todo mundo acha que estou louco,
Se todo mundo acha que estou louco,
eu acho que não
''O problema não é meu,
o paraíso é para todos
O problema não sou eu,
o inferno são os outros, o inferno são os outros''
''O problema não é meu,
o paraíso é para todos
O problema não sou eu,
o inferno são os outros, o inferno são os outros''
Cá meus créditos para os Titãs, excepcionalmente, perdoem-me Barão, Legião, Capital, Roupa nova, Ultraje(excelentes grupos por inclusive), a maior banda pop-rock brasileira; Salve Branco, salve Brito, salve Nando, salve Miklos, salve Tony Belloto.
Ribeirão Preto/Sp, 21:59;
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Tony Belloto
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Ciclo
Três dias consecutivos. O fenômeno se inicia desapercebido, sorrateiro, dura alguns dias, culminando no estado qual agora me aflige. Novamente ocorre e me vejo sem chão, cá, com este vazio, uma sensação de inutilidade e incapacidade de subir e retomar minhas atividades suspensas neste tempo... três dias. Suficientes para desbalancear minha homeostase auto-analítica, confiança e creio ainda minha segurança própria. Por tal como veio, vai embora: por mim; a diferença é a duração. O desbalanço é agudo e crítico, a recuperação custa dias e dias de esforço, nos quais tendo a me sentir em progressão menos leviano. Em suma o que ocorre é que minha consciência é privada dos meses anteriores de esforço por poucos dias nos quais me esqueço dos estudos, de obrigações entre coisas outras mais, que, com certeza, estavam todas bem sustentadas e mesmo até adiantadas. Mas não reconheço. Os poucos dias de relapso me causam esta impotência na qual estou... agora já em recuperação. E neste período impotente sinto-me incapaz de retomar meu ritmo anterior, como se tivesse de começar desde o começo, como se fosse improvável recuperar o fio da meada, tendo eu como alternativa única que recomeçar o enredo desde o ponto de partida . Isto não é normal, nem faz-me bem, já que sei, sem a menor dúvida, que sou capaz de coisas além das faculdades de muitos, devido a meus esforços e também à minha construção psíquica constitutiva. Anseio em equilibrar tudo isso, momentos de trabalho, de rendimentos, com outros de curtição e relaxamento; conhecendo-me sei não irá ser fácil, mas também percebo consiguirei. O ponto principal é: motivação, aquele primeiro passo. Tenho que desbitolar de alguns julgamentos intrínsecos para mellhor enxergar as situações do dia-a-dia. Não tarda esta motivação chega, bem como algumas outras por quais aspiro.
Estabilidade, meu grande apreço, não pode deixar de me ser de característica incondicional.
''Voa, voa minha liberdade,
Entra, se eu servir como morada,
Deixa, eu voar na sua altura
agarrado na cintura
da eterna namorada
Voa, feito um sonho desvairado
desses que a gente sonha acordado,
Voa coração esvoaçante
feito um pássaro gigante
contra os ventos do pecado
Voa nas manhãs ensolaradas
entra, faz verdade esta ilusão
Voa no estalo do meu grito,
Quero ver teu infinito
neste azul sem dimensão''
Entra, se eu servir como morada,
Deixa, eu voar na sua altura
agarrado na cintura
da eterna namorada
Voa, feito um sonho desvairado
desses que a gente sonha acordado,
Voa coração esvoaçante
feito um pássaro gigante
contra os ventos do pecado
Voa nas manhãs ensolaradas
entra, faz verdade esta ilusão
Voa no estalo do meu grito,
Quero ver teu infinito
neste azul sem dimensão''
Ribeirão Preto/Sp, 23:07;
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Lingüístico
''Oxítono
mocho
gelosia
isquemia
cantoneiro
insípido
neurose
lésbico
idiopático
dipsomania
compêndio
lues
persecutório
artelho
psicodelia
somatoforme
despeito
lástima
conduta
protelação
iatrogenia
ubíquo
confim
adágio
retina
cadência
minimalismo
vulva
frenesi
eunuco
avo
venéreo
apreço
diazepam
carmim
ébrio
constitutivo
morfético
pêndulo
ansiogenia
demasia
fleumático
idiossincrasia
anuência
residual
fresta
mênstruo''
Ribeirão Preto/Sp, 20:43;
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