sábado, 5 de fevereiro de 2011

Interior

Por detrás de atos pecualiares, e, interessante, que rotineiros, há revelações de valores de grande profundeza, apesar de não nos darmos, em muito, conta disto. Processos inconscientes manifestos em plena consciência sem que percebamos, e possamos aproveitá-los completamente. Do inconsciente para o inconsciente, por meio de nós em apta ação cônscia, pouco percebendo. Um presente dele para ele, com o uso de outrem, a ferramenta-chave do processo: o ser em que habita, o próprio ser pensante.Quais seriam as representações reais destes atos, cá me pego a pensar. Que seriam elas para eu mesmo, e para o meu eu desconhecido.

O cômodo silenciador, um banho duradouro: a água quente tocando a pele sensível, o toque no próprio corpo, o sentir de si mesmo, em matéria, o esfregar dos cabelos, a suavidade da espuma que escorre, a umidade que se pronuncia: a redescoberta contínua das próprias percepções, o limite material da personalidade.
Roupas leves, um ambiente neutro de sensações enérgicas, estimuladoras. Apenas ruídos ásperos do atrito, os objetos que se tocam, lá, inanimados, ordenados conforme a própria vontade. Toda a simplicidade - assim julgada por si mesmo, já que relativa à constituição de cada um - representando a interiorização, a desconexão progressiva de tudo fora da auto-limitação.
A taça translúcida, agora tingida pelo vinho. Um alongamento corporal, os músculos irradiando as aferências, que, agora, devem-se esvair do contexto. O contexto é de retração, físico-psicologicamente interior. O contexto é o auto-lirismo, a auto-valorização, o auto-aproveitamento.
A pele que delimita, as cores que brilham nos olhos, o rumor que abala os ouvidos, o sabor que toca a língua. O teor que abafa as reverberações mentais de um poço interno de emoções retidas.
Ribeirão Preto/SP, 22:13;

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Contamição

''Não confio em ninguém,
Não, não confio em ninguém
Não confio em ninguém com mais de 30
Não confio em ninguém com 32 Dentes''

Obs: não era, nem é, de minha intenção usar deste meio como forma de especulação de assuntos políticos, econômicos e culturais. Jaz aqui um texto que retrata ,de maneira conotativa, a confusão secundária que sinto ao que se me passa, ao fugir dos trâmites para os quais realmente criei o blog.

Em meio a tantas incoerências, petulâncias, injustiças, absurdos e promiscuidade sócio-cultural frustro-me cá, em meu quarto solitário, em meus altos e baixos também com problemas pessoais. Fato não ser esse um ano de muito crédito para mim; não que seja de minha índole substimar a vida, não é, que fique claro. Maus momentos fazem parte do caminho que seguimos, e não desprezemos todos as boas passagens, findando nossa ingratificação.
O facto é: está tudo errado, tudo errado. Olhe pros lados, nas janelas dos carros, ligue a tevê, leia os jornais, avalie seus companheiros de turma, a índole dos casais e famílias. Abra os olhos, ''The truth's out there'', man. Repare nas leis, no controle social. Analise a igreja, oh cristo!

''Eu não gosto de padre
Eu não gosto de madre
Eu não gosto de frei.
Eu não gosto de bispo
Eu não gosto de Cristo
Eu não digo amém.
Eu não monto presépio
Eu não gosto do vigário,
nem da missa das seis

Eu não gosto do terço
Eu não gosto do berço
De Jesus de Belém.
Eu não gosto do papa
Eu não creio na graça,
do milagre de Deus
Eu não gosto da igreja
Eu não entro na igreja
Não tenho religião''

No Brasil temos 140 milhões de infelizes que alimentam a instituição, de longe, mais sanguinolenta já existente na Terra. Os fiéis apóiam a igreja que queimou vivos e em praça pública físicos, químicos, biólogos, astrônomos, homossexuais, pessoas, que estas sim, participam da lei químico-biológica mais acestral e resoluta existente: a evolução. Nenhuma outra organização matou mais pessoas que a igreja católica na história. A igreja é anti-evolução, a igreja é a maior retrocessão vigente, ainda(o que mais se é de admirar), no Mundo. A igreja não está inclusa na homeostase natural, a igreja é anômala, a igreja é simplesmente anti-evolucionista. 140 milhões de brasileiros que alimentam as diretrizes insustentáveis do cristianismo; que apóiam, direta ou indiretamente, a queimada de camisinhas, a impossibilidade de cura de milhões de enfermos mórbidos: cancerosos, sofredores de auto-imunidades, escleroses, distrofias, paralisias... E o melhor eu ainda mostro, agora:
Findo aqui minha indignação com esses seres impensantes, que se preocupam mais em ir à/ao missa/culto aos domingos que com os problemas humanos.
Esmiuce a juventude, as ideologias medíocres ainda cravadas no século XXI, o comunismo!
Jesus, Maria, José, estou cercado, não há meios por onde me esquivar, o fim está próximo e ao que parece ninguém percebeu. Oh, Crhist!

''Não tenho endereço, casa, nome e sobrenome
Não tenho documento, carro, conta e telefone
Se todo mundo acha que estou errado,
eu acho que não
Se todo mundo acha que estou louco,
eu acho que não

''O problema não é meu,
o paraíso é para todos
O problema não sou eu,
o inferno são os outros, o inferno são os outros''

Cá meus créditos para os Titãs, excepcionalmente, perdoem-me Barão, Legião, Capital, Roupa nova, Ultraje(excelentes grupos por inclusive), a maior banda pop-rock brasileira; Salve Branco, salve Brito, salve Nando, salve Miklos, salve Tony Belloto.
Ribeirão Preto/Sp, 21:59;

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Ciclo

Três dias consecutivos. O fenômeno se inicia desapercebido, sorrateiro, dura alguns dias, culminando no estado qual agora me aflige. Novamente ocorre e me vejo sem chão, cá, com este vazio, uma sensação de inutilidade e incapacidade de subir e retomar minhas atividades suspensas neste tempo... três dias. Suficientes para desbalancear minha homeostase auto-analítica, confiança e creio ainda minha segurança própria. Por tal como veio, vai embora: por mim; a diferença é a duração. O desbalanço é agudo e crítico, a recuperação custa dias e dias de esforço, nos quais tendo a me sentir em progressão menos leviano. Em suma o que ocorre é que minha consciência é privada dos meses anteriores de esforço por poucos dias nos quais me esqueço dos estudos, de obrigações entre coisas outras mais, que, com certeza, estavam todas bem sustentadas e mesmo até adiantadas. Mas não reconheço. Os poucos dias de relapso me causam esta impotência na qual estou... agora já em recuperação. E neste período impotente sinto-me incapaz de retomar meu ritmo anterior, como se tivesse de começar desde o começo, como se fosse improvável recuperar o fio da meada, tendo eu como alternativa única que recomeçar o enredo desde o ponto de partida . Isto não é normal, nem faz-me bem, já que sei, sem a menor dúvida, que sou capaz de coisas além das faculdades de muitos, devido a meus esforços e também à minha construção psíquica constitutiva. Anseio em equilibrar tudo isso, momentos de trabalho, de rendimentos, com outros de curtição e relaxamento; conhecendo-me sei não irá ser fácil, mas também percebo consiguirei. O ponto principal é: motivação, aquele primeiro passo. Tenho que desbitolar de alguns julgamentos intrínsecos para mellhor enxergar as situações do dia-a-dia. Não tarda esta motivação chega, bem como algumas outras por quais aspiro.
Estabilidade, meu grande apreço, não pode deixar de me ser de característica incondicional.


''Voa, voa minha liberdade,
Entra, se eu servir como morada,
Deixa, eu voar na sua altura
agarrado na cintura
da eterna namorada

Voa, feito um sonho desvairado
desses que a gente sonha acordado,
Voa coração esvoaçante
feito um pássaro gigante
contra os ventos do pecado

Voa nas manhãs ensolaradas
entra, faz verdade esta ilusão

Voa no estalo do meu grito,
Quero ver teu infinito
neste azul sem dimensão''

Ribeirão Preto/Sp, 23:07;

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Lingüístico

''Oxítono
mocho
gelosia
isquemia
cantoneiro
insípido
neurose
lésbico
idiopático
dipsomania
compêndio
lues
persecutório
artelho
psicodelia
somatoforme
despeito
lástima
conduta
protelação
iatrogenia
ubíquo
confim
adágio
retina
cadência
minimalismo
vulva
frenesi
eunuco
avo
venéreo
apreço
diazepam
carmim
ébrio
constitutivo
morfético
pêndulo
ansiogenia
demasia
fleumático
idiossincrasia
anuência
residual
fresta
mênstruo''

Ribeirão Preto/Sp, 20:43;

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Fruto

Em tempos incertos cá me escancaram, como que se de repente, posso dizer ainda que por esforço meu, sentimentos de propriedades inversas aos que até então se cravavam em meus dias. Digo que por meu esforço por ter conseguido, com não muita reflexão, sintetizar um amplo conteúdo de ocorrências, desentendimentos, dissidências, e seus efeitos; tudo se me mostrou demasiado mais singelo do que julgava ser, talvez porque estava com tudo solto na cabeça, sem conseguir reunir e interpretar os fatos para elaborar uma conduta; talvez por estar ainda digerindo certas partes do montante; talvez, e penso ser o mais provável, por ter deixado de lado toda esta confusão e focado em pontos outros de minha vida por um tempo. Agora vejo mais claramente, tudo o que expus acima, em minha frente, e me sinto bem, deveras assim me sinto. Fardos embasados em desmerecimentos, e entre outras constituições. Me pego com uma vontade louca, contudo de seriedade, de ligar o ''mode: soluções drásticas'', que sempre surte efeitos. Assumo os riscos destas soluções, por ativá-las após muito pensar; agora as coloco em meu caminho actual, de maneira um tanto leviana, mas sinto não estar por cair em decepção por este feito; talvez deva-se agir desta maneira com as soluções drásticas, talvez não, por isso arrisco em âmbito de não muita importância para mim, não mais. Não mais;

'Olhando pra trás há momentos bons, lógico,
o que faz ser triste,
Mas também há empecilhos,
o que faz ser racional e sensato'
RMF


''Eu vejo a vida melhor no futuro,
eu vejo isso por cima do muro
de hipocrisia que insiste em nos rodear
Eu vejo a vida mais farta e clara,
repleta de toda a satisfação que se tem direito,
do firmamento ao chão

Eu quero crer no amor numa boa,
e que isso valha prá qualquer pessoa
que realizar a força que tem uma paixão

Eu vejo um novo começo de era,
de gente fina, elegante e sincera,
com habilidade pra dizer mais sim do que não

Hoje o tempo voa amor,
escorre pelas mãos,
mesmo sem se sentir
E não há tempo que volte amor
Vamos viver tudo o que há prá viver,
vamos nos permitir''

Ribeirão Preto/Sp, 23:09;

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Opacidade

Voltei. Cá me estavam de prontidão as tão esperadas cobranças objetivas exógenas, e de grande valor para meus interesses. Cobranças essas que me surtem outras endógenas, e assim satisfaço duplamente com apenas um feito ambas elas.
Antes como meta, agora como efeito de motivação própria, me empenho a aprofundar na vasta e concreta medicina interna, desde suas raízes, a fim de melhor embasamento futuro. Me toca o humanismo e a delicadeza da clínica, e tenho me satisfeito com seu efeito em minha ideologia. Satisfaço-me compensatoriamente, por ter esquivado esta tão indipensável área de meus passados três anos de faculdade, já que havia, lá no fundo, sempre um vazio implorando preenchimento.Agora o encho, e com prazer, o que mais de traz felidade.
Primeiro módulo interessante, principalmente quanto à minha tão amada farmacologia, diria também quanto à neuroanatomia, ramo único da morfologia macroscópica por mim apreciado. Considero a psiquiatria, tratada no módulo referido, como interessante e de influência ubíqua nas especialidades outras, porém trabalhada com descaso por funcionários da saúde. Parte extensa em teoria, por abarcar muito das vertentes da psicologia inexoravelmente, por estarem ligadas; Parte extensa, por conter muitos termos e condutas específicos da área. Parte, contudo, como já atribuído, importante e de grande afecção na população geral.
Oh, minha vida acadêmica... meus livros, meus resumos, minhas manias(não as psiquiátricas, rs)... estava com saudades; Como diria o Sano, amigo que há tempos não vejo e por que sinto saudades, ''Quod me nutrit, me destruit''. Por vezes penso no efeito deste adágio, mas com lados positivos e negativos, creio não haver como nos esquivar de nossas necessidades de rotina, obrigações e compromissos. Talvez o balanço seja favorável à nossa psique, talvez não... wathever.
Concomitante ao regresso acadêmico, mudanças. Turma nova, pessoas novas, conexões novas: adaptação. Tenho analisado bastante quanto à maneira de o ego se adaptar frente a adversidades e situações estranhas; a análise é complexa porém, digo, interessante. Instabilidades inconscientes, repressão sentimental, defesas do ego; Ressalto: Freud, por mais austeros que sejam os Behavioristas, foi um gênio além de sua, e de nossa época, e quer estivesse certo ou não, tem seu mérito, e o Rafael que me perdoe... ou não, mas enfim, rs. Outra fonte de minhas curiosidades e invocação da psicanálise é um fato um tanto estranho que me tem ocorrido, desde meu retorno às atividades acadêmicas: deparo-me com desinteresse e desmotivação para voltar à minha cidade de criação. Dantes nunca ocorrera tal manifestação em meu âmbito de desejos. Mas ocorre-me a vontade de permanecer cá, novamente digo, com meus livros, resumos, minha moradia universitária... Conjecturo e logro causas para esta conseqüência, como modo de explicação. A questão, retorno ao ponto há pouco discutido, é a adaptação. Talvez seja melhor voltar pra Rio Preto, e, agora uso de meios behavioristas, encarar a experiência por si, o que não ocorreria se me enclausurasse aqui em meu apartamento(quarto?cubo?). Inclusive porque necessito da experiência para obter resultados concretos, não teorico-especulativos. Verei, sentirei, talvez surpreenderei-me.
Alinhado a este descaso por Rio Preto está minha vida afetiva, a qual tem, tabém, deixado dúvida e confusão por esses dias que tem passado. O lindo trecho que segue abaixo, o insertei ao post por conta deste aspecto, e creio necessitar de maior intensidade afetiva endógena, contudo sinto-me perdido em meio à confusão que referi. Ando meio perdido, talvez esteja seguindo por um caminho tortuoso porém de destino correto, e espero que assim seja.

''O primeiro me chegou como quem vem do florista,
trouxe um bicho de pelúcia, trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens e as vantagens que ele tinha,
me mostrou o seu relógio, me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada que tocou meu coração,
mas não me negava nada, e assustada, eu disse não

O segundo me chegou como quem chega do bar,
trouxe um litro de aguardente tão amarga de tragar
Indagou o meu passado e cheirou minha comida,
vasculhou minha gaveta me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada que arranhou meu coração,
mas não me entregava nada, e assustada, eu disse não

O terceiro me chegou como quem chega do nada,
ele não me trouxe nada também nada perguntou
Mal sei como ele se chama mas entendo o que ele quer,
se deitou na minha cama e me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não,
se instalou feito um posseiro dentro do meu coração''

Ribeirão Preto/Sp, 21:45;

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Resultado

From me to me:
O ponto relevante em questão, nesses tempos de abstenção de posts, é: minha leitura está estagnada. Especulo. Em se falando de diagnósticos psicológicos: sinal, sintoma, etiologia, seqüela? Ainda não sei. Talvez, inclusive, nunca saiba. Sendo este, a leitura, um hábito ubíquo em meu cotidiano, é de pouca probabilidade que fique isenta minha consciência de uma conclusão sustentável sob efeito do tempo. Plausível que ele, juntamente com minhas faculdades analíticas, logre explicações de grande efeito para mim, e, como conseqüência, para o âmbito social ao qual me confino... amizade, família(entidades de manutenção sobremaneira requerentes, cravadas a nós, e assim, quando instáveis, atingem-nos intensamente); precisamos delas, inerentemente(quando possuímos natureza humana que tange limites de normalidade, ao menos).
O que importa é que minha leitura permanece inerte. E o efeito é que isto me afeta; isto me angustia. Talvez como causa, talvez por efeito. Não é um fato inédito este por qual passo, nem creio será ele ocasional ou assíduo. Mas o incômodo é que, nestas ocasiões, ocorridas em estações análogas, parece sair-me algo do âmago. Julgo-me frágil, ordinário, e por conseqüência direta abalado e, ouso dizer, despeitando meu orgulho, instável.
Há faltado congruência em meu hábito de leitura. Não estou bem. Talvez não esteja bem. Talvez esteja com medo de minha condição. Talvez eu não saiba de mais nada, ou talvez saiba demais e não consiga, ou não queira, conciliar o que foi conciliado à nível inconsciente.

''A melhor forma de esquecer
é dar tempo ao tempo,
A melhor forma de curar o vício
é no início

A melhor forma de escolher
é provar o gosto,
A melhor forma de chorar
é cobrindo o rosto,
Evitar as rugas
é não olhar no espelho,
Esvaziar o revólver
é puxar o gatilho,
A melhor forma de esconder as lágrimas
é na escuridão,
A melhor forma de enxergar no escuro
é com as mãos,

As idéias estão no chão,
você tropeça e acha a solução''


Ribeirão Preto/Sp, 23:53;